
Era fim de tarde de outono, e o céu era manchado pela escuridão.
Luzes despontavam por todos os cantos e o trânsito inspirava mais movimento e caos conforme passavam os minutos.
Entre a avenida dividida, uma ciclovia tranquila, contrastando com o sentimento de pressa que marcava todo o resto.
Um ponto em especial descrevia o trajeto sinuoso, cheia de declives e trechos mais complexos.
O ponto, logicamente, era uma bicicleta.
Havia o garoto de bochechas vermelhas pedalando contra o vento forte, enquanto a garota de tranças escuras concentrava-se em manter-se o mais imóvel possível.
Com exceção do transporte, ambos sentiam-se confortáveis. Observavam as folhas secas e deixavam algumas palavras fluírem pela brisa.
Num silêncio distraído, a pergunta é feita.
- Alice, como é?
Ela não compreende.
- O quê?
- Ter um pai.
A garota fita o asfalto cinza movendo-se proximamente, e sente que a névoa de mera casualidade sumira sem aviso.
- Ah - ela começa sem saber como - é parecido com ter uma mãe.
Dizer mais o quê? Vivera todos os seus dias com um pai, não conseguia definir como era não ter um.
Para o outro a dor era pungente, a perda insubstituível. Soubera o que era ter um pai, assim como também aprendera a acordar todos os dias sem sua presença.
Seus olhos procuraram por alguns resquícios de um passado que parecia absurdamente distante.
Perguntas empoeiradas, sem respostas.
- Eu acho que preciso voltar a igreja... - para alívio da garota, não precisava mais pensar numa maneira de descrever o indescritível. - Tenho certa paz quando estou lá. Alice - interrompeu-se de repente - você não é ateia, certo?
Mexeu-se incomodada perante certa perplexidade, denunciando sua inquietação.
Mesmo um pouco chocado, continuou:
- Desde que meu pai morreu não volto a uma igreja. Sinto falta disso. Sabe Alice - olhos faiscantes - acho que já cheguei perto da paz de espírito uma vez. Foi tão bom...
Uma pausa para reflexão, e de repente a pergunta.
- Luan, como é?
Certa confusão.
- O quê?
A noite ocupando o céu. Acima de suas cabeças o céu nublado e a lua emergindo num canto da paisagem.
Um par de olhos opacos procurava respostas num lugar desconhecido.
- Ter Deus.
__________________________________________________
*** É engraçado como eu misturei uma lembrança apagada com um sonho e com um pressentimento. Espero que todos tenham o discernimento necessário pra saber que essa é uma mera história de uma mente agitada que com toda a certeza não quer discutir religião nos comentários da postagem. Pensem o que quiser. Obrigada.














1 leituras de texto :):
Oh, meu BUDA!
hsiAUHSiushIAUSH desculpe, não resisti
Marinaaaa! Mariiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiina!
Cara, SENSACIONAL! ABSURDAMENTE GENIAL!
Um ótimo conteúdo não precisa necessariamente de um texto extenso.
PERFEEEEEEEEEITOOOOOOOOOO
-> tooma leide, luide, luiza !
aishAUSHhiaush
bianca T.O. ;*
Postar um comentário
Aqui é o seu espaço: comente, critique, elogie, só não passe em branco.
Comentários são respondidos, mesmo com atrasos.
Obrigada :3