
Matt não acreditava que estava na rua com seu violão. Mal sabia que era capaz de tirá-lo de casa.
Quando viu Ana quase deu meia volta e desistiu, mas a irmã entregara-o antes que tivesse chance.
Ele sabia o que precisava ser feito. Só não sabia se seria capaz de fazê-lo.
Helena corou assim que viu Matt se aproximar. Não sabia o que devia estar sentindo, mas já tinha o coração disparado antes mesmo dele chegar.
O garoto sentou-se ao lado dela, e ficaram em silêncio por alguns segundos que pareceram mais longos do que realmente eram.
Ela em dúvida sobre o próximo passo. Ele com toda a certeza possível, mas sem o impulso necessário.
- Matt – como sempre, foi ela que tomou a iniciativa. E isso tinha que acabar, ele sabia disso.
Como ele continuava em silêncio, ela prosseguiu:
- Me perdoe. Eu não sabia o que isso significava pra você. Agora eu entendi que eu comecei tudo do jeito errado. Achei que você estava se escondendo de mim por algum motivo, mas você só quis ser um pouco mais reservado, como sempre. E eu te amo de qualquer jeito, essa é a verdade, não importa como você reaja. Algumas coisas são assim, e...
Matt de repente pôs o indicador nos lábios de Helena, calando-a. O gesto gerou reação praticamente instantânea.
Sem mais nenhuma palavra, ela encarava-o e aguardava. Ele acenou afirmativamente com a cabeça.
Tirou o violão das costas, e o barulho do zíper da capa ecoava pela rua pouco movimentada. O coração da garota começou a bater inconstantemente.
- Você sabe que não precisa fazer isso, né?
O garoto tinha um olhar resoluto. Colocou uma mecha – a que caía sempre do lado direito do rosto – atrás da orelha dela. Ajeitou o óculos de lentes grossas e disse olhando para baixo, num meio sussurro:
- Já é difícil de qualquer jeito. Por favor, por favor, eu já cheguei até aqui. Eu... preciso disso.
Helena prendeu a respiração, e entrelaçou seus dedos. Sabia que aquele era um momento importante.
Matt ajeitou o violão no colo. Fechou os olhos e sugou o ar lentamente.
A garota decidiu que também era sua hora de fechar os olhos. E aguardar.
O garoto não acreditou quando conseguiu iniciar o improviso que fizera depois de conhecê-la.
Tocava de olhos fechados, pois não tinha forças para observar o que acontecia ao seu redor.
Seus dedos percorriam as casas do violão com agilidade. As notas vibravam no ar, com firmeza e doçura.
Os agudos e os graves se misturavam, numa melodia harmônica.
Tocava rápida e lentamente sucessivamente, e algumas palavras flutuavam no ar, nas entrelinhas de slides e acordes.
A música em si durou menos de quatro minutos. Mas aquele momento, sugestivamente, duraria muito mais na memória.
Quando terminou sua canção, o fá sustenido sussurrou como o derradeiro.
E, quando Matt abriu os olhos, viu que a garota estava chorando.
Muda.
O pavor tomou conta dele – conseguira estragar tudo de novo.
Largou o violão de qualquer jeito em cima da capa e se aproximou mais de Helena, no estreito degrau.
Era aterrorizante. A garota estava parada, encarando-o fixamente, sem emitir nenhum ruído – logo ela, tão cheia de palavras para todos os momentos.
- O que eu fiz?
Matt estava a beira do desespero.
- Eu sabia que não devia ter feito isso. Me desculpa Helena, eu juro que...
- Você disse.
Esse foi o sussurro que Helena emitiu, após piscar os olhos rapidamente. As lágrimas ainda continuavam.
O garoto não sabia o que fazer.
- O que eu disse de errado? Me perdoa, por favor.
A garota de repente começou a sorrir. Quando seus olhos se iluminaram, ainda com lágrimas, Matt podia jurar que eram como chocolate derretendo.
- Eu ouvi, Matt! - e abraçou-o com força.
Matt estava parado, aguardando alguma explicação razoável.
Os olhos verdes encontraram os olhos chocolate.
- Você disse que me amava. Eu ouvi. Estava na música... o tempo todo.
O garoto riu, aliviado.
- Acho que falei alto demais – foi o que ele conseguiu dizer antes de beijá-la.
Havia uma casa amarela, com janelas de alumínio e algumas flores.
Havia o céu, acinzentado e sem nuvens.
Havia a rua estreita, com algumas árvores belas e folhas secas esparramadas pelo chão, colorindo-o de laranja e amarelo.
Havia dois jovens, sentados numa escada rindo, como se nenhum problema do mundo pudesse atingi-los.
Uma paisagem bela demais para uma tarde de outono qualquer.
Foi assim que uma garota que amava palavras descobriu que elas às vezes eram desnecessárias.
O amor – ela aprendeu – pode dizer tudo por si só.
Basta saber ouvir.














1 leituras de texto :):
E é exatamente por isso que eu sou viciada nesse blog!
Mariiiina, adorei meeeeeesmo seu romance :)
Melhor que muitos livros sobre barcas que vão para o inferno e levam consigo todas as almas expulsas do planeta O_O' - lembra a ideologia de um grande filósofo, né? ishahISUAHsihasiuH
não citarei nomes, se bem que só preciso de duas letrinhas...
siaHSAUsih
Enfim, curto demais suas criações!
Você já conversou com o Robo Ed?
http://www.ed.conpet.gov.br/br/converse.php
CAAAAAAAAARA, ele me ajudou a estudar para as PE's e pro último simulado!
AIUHSiAUSHiAhsahsIUAHS
:D
bianca TO
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