quarta-feira, 13 de abril de 2011

Alfajor


Quando chega tranquilo, aperta um pouco os olhos e sorri.

Para quem observa de longe, só mais um adolescente qualquer.

Seu cabelo balança junto ao vento e junto aos seus movimentos, muitas vezes, exagerados.

Tem uma postura levemente curvada e a mania de andar com as mãos no bolso quando distraído, como se guardasse um pouco de si nas próprias mãos.

Uma pessoa fácil de interpretar, principalmente com certa prática.

Batuca na mesa com ritmo quando está animado – introduções bem feitas de Know Your Enemy, do Green Day, e I Don't Care, do Fall Out Boy. Movimenta os pés no chão quando está ansioso. Fica levemente corado quando constrangido. Canta em voz alta qualquer tipo de música, faz as mais diversas caretas e até dança os passos mais esquisitos quando feliz – consegue assumir tantas expressões de uma vez só que dá a impressão de não ter uma forma única. Como se conseguisse modelar-se a partir de cada novo personagem.

Imita sotaques com certa técnica. Numa mesma fala, pode passar do britânico ao italiano, do italiano ao alemão e, depois disso, qualquer outra nacionalidade pode transformar-se numa caricatura divertida.

Quem o olha sorrindo desse jeito, gargalhando em alto e bom som movendo os ombros largos para frente e para trás, talvez não faça ideia do peso que o garoto carrega internamente.

No fundo, como qualquer um, vive uma busca por certezas e respostas.

Quando fixa os olhos em algo que não está lá e sua feição (normalmente calorosa) endurece, ele não está mais lá – está mergulhando dentro de si, em pensamentos.

Tem um costume que acaba sendo, na verdade, uma espécie de vício – análises. Quando cisma com algo, desmembra situações até imaginar todas as possibilidades possíveis, tudo que pode ter acontecido ou ainda vai acontecer. Atrapalha-se em suas linhas de raciocínio, embaraçadas por natureza – assim como todos os verdadeiros conflitos.

Mas há algo engraçado nisso. O garoto muitas vezes ocupa-se tanto com seus pequenos problemas que talvez esqueça o quanto é forte, algo que só pode ser descoberto quando, com uma exclamação pairando no ar, descobre-se um pouco mais sobre sua história.

As grandes perdas que ele carrega consigo. Ausências. Dor. Tantas dificuldades superadas, tantas lembranças que acordam com ele a cada dia, anestesiadas pela rotina, mas sempre presentes. Obstáculos enfrentados com maturidade precoce, coragem. Talvez não dê para reparar nisso quando ele dá de ombros, mas a força está lá. Não é algo simplesmente abafado, é a prova de uma luta interna.

Seu ar, quando perdido, lembra vagamente a canção Welcome to the Black Parade, do My Chemical Romance.

Alguns detalhes não são tão facilmente decifráveis, até porque, como todos, ele não mostra num relance o que realmente é.

Muitas vezes enuncia que não se importa com nada. Que é um irresponsável, e se orgulha disso. Alguns até engolem sua mentira mal contada.

Basta interrogá-lo sobre qualquer assunto inteligente para acabar com a farsa.

Lê vários tipos de livro, e até jornais. Revistas estrangeiras. Traz certo brilho de astúcia quando perguntado sobre qualquer coisa referente à atualidade.

E adora História. Enxerga heróis de guerra, generais insanos, curiosidades bizarras e reviravoltas de tirar o fôlego num conjunto de algarismos: datas. Enxerga por trás delas as histórias – essas mesmas, com H minúsculo – que a maioria não enxerga: não tem conhecimento para tanto.

Não é o tipo que perde horas estudando, mas sim que despeja seu conteúdo na hora certa.

Acompanhá-lo envolve certo ritmo – algo que, aliás, faz parte de sua essência.

Além de modelar sua voz com gritos, agudos, graves e interjeições – só ouvindo-o cantar We Are Golden, do Mika, se entende bem o que quero dizer – ou tocar baterias imaginárias a qualquer momento, o rapaz alto também faz música concreta: basta um violão.

Não importa como, seja animado ou pensativo, o fato é que com um violão em mãos as possibilidades musicais são ampliadas. Com precisão e força, seus dedos ágeis percorrem o braço do instrumento, arrancando acordes e dedilhados com sonoridade impressionante. As notas vibram no ar, flutuam e permanecem numa sequência harmoniosa. Reproduções de clássicos do rock – Sexta-feira 13, que tal? - e Green Day.

Além de tudo isso, ainda há um aspecto camuflado em suas palavras críticas, suas piadas ácidas e seu bom humor constante.

Bondade.

Porque o garoto não tem milhares de amigos, mas faz questão de conservar cada um dos verdadeiros. Ouve sempre o que tem a ser dito, mesmo que não absorva as palavras sendo teimoso como é. Consola quem precisa, e muitas vezes é o primeiro a estender a mão quando necessário.

Talvez peque um pouco pela franqueza – suas mentiras são tão mal contadas, denunciadas por sorrisos de culpa e olhares indiscretos, que mal podem ser consideradas mentiras. Suas palavras sinceras demais e seus comentários espontâneos já machucaram. E, mesmo assim, ele nunca foi capaz de ferir sem justificativa. Sempre fez o máximo para consertar corações quebrados, mesmo que não estivesse ao seu alcance.

Arrancar um sorriso no meio de lágrimas é uma qualidade tão única quanto bela.

All star ilustrado. Cabelo organizadamente bagunçado. Um relógio como herança. Cupcakes com Coca Cola. Pratos de bateria. Mensagens de texto. Jogos de futebol. Partidas de baralho. Tardes embaixo da sombra de árvores ao lado de canais. Olhos cor de alfajor argentino, daqueles embrulhados em papel dourado, estendidos numa caixa como um presente especial.

Ele é um personagem que surpreende pelo caráter. Por sua alma nobre, leve e ligeiramente musical.

Para quem julga de longe, só mais um adolescente qualquer.

E para quem tem a chance de conhecer sua essência, muito mais que isso: um coração verdadeiro, leal, e, acima de tudo, divertidamente transparente.

***



Happy birthday to you, happy birthday to you, Parabéns pra você, Lálálálálálá *-*

Hoje é aniversário do Lucas, e para comemorar, como sou pobre, decidi transformá-lo num personagem. (Isso mesmo, palavras não custam dinheiro por aqui!).

Admiro muito esse garoto, cheio de manias e onomatopeias, então resolvi colocar um pouco dele no meu blog :3

Muitos chocolates e presentes úteis pra você, Lucas, já que ninguém merece só uma coisa dessas no aniversário.

Espero que tenha gostado da minha pequena homenagem, tenha pego as músicas e não tenha ficado ofendido, só achei que seria divertido ver um retrato escrito por uma pessoa ligeiramente insana (:

Tudo de bom, muitos aninhos de vida e os clichês de sempre!


Beijo especial pra Lina, minha diva da blogosfera :*

2 leituras de texto :):

Vanessa disse...

Parabéns ao Lucas.
Gostei da forma em que você o retratou no texto, parece ser uma pessoa espontanea, divertida e muito querida.
Presentes se desgastam com o tempo, palavras vem do coração e duram um pouco mais de tempo. Em fim, adoro receber cartas e acredito que o Lucas ficaria muito feliz com esta sua homenagem.
Me visita?
beijos :3

Anônimo disse...

Marina, você é uma EXCELENTE escritora!
Adoreeeeeeeeeei sua descrição sobre o Lucas -- parabéns atrasados, Lucas -- !

Sou sua fã, gatíssima!
bjs, bianca T.O. :D

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